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terça-feira, 5 de julho de 2016

noi-t-e de vol-ta

Dadas
Encostadas
Mãos
Entre-laçadas

Olhos
nos meus
e teus
sendo seus
os meus

pela ja-
nela
Estrelas no
Céu
Azul

Me cega
quando te
enxerga
e releva
com a
revela-ção
dessa
minha pressa

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Safra de gente

Mulher, professora, negra e atriz, foi essa pessoa que me influenciou nessa escrita, através do seu desabafo com nuances que não conseguirei mostrar-lhes, mas espero ao menos fazê-los ouvir sua voz firme dizendo o que escrevo.
Ninguém mais consegue ficar calado, todo mundo quer gritar onde dói, onde fere; mas ela não grita, ela foi oprimida, sempre ensinada a sofrer calada e ver que já passou aquilo que não passou, aquilo que não é tratado. Quem é que trata de uma ferida sem limpá-la, mostrá-la? Ninguém.
Disse existir um conforto em saber que tem gente gritando junto com ela, excluindo o fato de que ela tem gritado pouco ou quase nada, se não às paredes, à mim e mais um punhado de gente que já conhece sua história de vida e um homem que certa vez lhe cantou num beco e ela foi atrás exigir uma satisfação, exigir o que ela foi ensinada a não exigir e se sentiu tão forte e poderosa e no controle de si, se não fosse um mas...
- lembrei de todos os homens que passaram na minha vida - era como se depois do beco, todos os homens que haviam passado por sua vida só estiveram lá pra se esfregar nela, viver o momento, se deixar levar, uma noite de prazer, fazer apenas o que ela quisesse sendo que eles a fizeram querer, ou talvez não, mas acabou sendo os mesmos fins, sempre e sempre e sempre e menos no beco, quando ela gritou.
Depois ela percebeu que em sua lista de contatos era algo semelhante a: Fulano dá pra eu dar, beltrano é melhor excluir da minha lista se não vou ligar, esse outro vou excluir da vida, esse daqui é pra quando eu quiser um amorzinho gostoso...
Ela sempre vive com o botão Implodir ligado e se sente necessitada de explosão, de um big bang em sua vida, em si, no mundo; jogando tudo pra fora, expondo onde fere, gritando quais são suas cicatrizes que cuidou sozinha.
Mas ela ainda está em construção, essa é a vida, a gente ta sempre se construindo e vem alguém te destruir com seu conceito construído e absurdo e totalmente incabível a realidade que você vive, são as realidades alheias aquelas que não dá pra você construir algo, você não conhece, não pode se sustentar na minha construção não.
Ainda assim ela teima em pedir:
- Não mexe nas minhas feridas, não mexe nas minhas gavetas, não encosta em mim. - mas eu ignoro sua ultima fala como se o Não fosse inexistente da mesma forma que o Universo compreende nossa fala: não EXISTE não

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

n-O meu cio.


Choro, me encolho, exalo o cheiro feminino, sensível, quero sexo e não quero, atraio olhares e palavras e falas e expressões e desejo, mas só quero o meu cantinho, e atenção também.
-Não me toque, me toque sim; não encoste, talvez um pouquinho; quero atenção, mas não fique no meu pé. - é mais ou menos assim que gostaria de gritar ao mundo durante o meu 'cio'.
Sangro como se fosse sair todas as impurezas que vivi de um mês pra cá, mas não sai.. intensifica, dói; daí choro, esperneio no meu cantinho, faço drama, mas quero um chamego.
Ah como adoro o aconchego, o cheiro, o doce, o aceso da minha libido; tudo na minha cama, no meu quarto, no meu solo que parece imóvel no impacto que goteia naquela fralda que visto todo mês.
É sempre uma época que acredito escrever mais, ser mais e bem menos também; são os extremos sendo mostrados em poucos dias, todos os meses e pelo menos metade da vida. Doido e doído, nessa indecisão mesmo, sempre em sequências bem diversas e com tons mais acentuados a cada nova fala:
- Desceu pra mim!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um pedaço de carne

Oi, eu sou um pedaço de carne!
Um pedaço de carne daqueles que anda pelas ruas da cidade e alguém comenta uma vontade, maldade, que beldade e eu me sinto assim como se fosse um pedaço de carne.
Eu invado whatsapp, aparece minha foto, da bunda, dos seios e nada da minha mentalidade, você diz que é linda, gostosa, mas de mim não sabe nem a metade, a verdade e enquanto me elogia eu me sinto mais ainda um pedaço de carne.
Mas se eu for pra esquina e cobrar pra ser vista, tocada e não falar nada, passo a ser a vadia, a jogada na vida, a puta da esquina sem nenhuma qualidade, um pedaço estragado, esmagado, surrado e muito mastigado.. de carne.
Não preciso ser inteligente ou intelectualmente intrigante pra você querer ver mais, tenho que estar com tudo em cima, nada de barriga, calos ou espinhas, mas ser curvilínea é uma nomenclatura complexa demais.
E se ninguém diz nada quando estou toda arrumada, perco a noite intrigada por não ser mais um bom pedaço de carne.
Como é que se livra assim, de palavras que doem a mim, quando jogadas as outras ou as minhas coxas que são grossas demais? Como esqueço que sou um pedaço de carne com gorduras a mais? Como deixo me chamarem assim e depois tomar pra mim que se não dizem é que sou feia demais? Como esquecer que entre tantos tem você, que fala na madrugada ¨mostra mais, você é gata¨ e eu não sei me fortalecer pra deixar de ser essa carne que parece estragada?!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Quê é, que quer, que sou.

As vezes queria ser rica e as vezes eu não queria, em outras ser bem pobre e em outras até mendiga.
Tem dia que eu quero ser menos eu e depois quero ser mais alguém, quero ser a branca que faz fotografia, mas também quero ser a negra da favela que nem o que comer tinha.
Num só ano eu já fui tanta coisa, deixei de ser outras e fui mais eu, depois fui mais alguém, passei a ser mais ninguém deixando de ser eu mesma eu fiquei na página virada sem dilema.
Num só mês eu fui freguês, já fui um burguês e pra alguns de vocês eu sei que ainda sou, tenho até amigo que fez aula de francês, que leciona inglês e que come no Paris6. Eu não sei inglês, nem francês, mas mando bem pra caramba no meu Português.
Numa só hora que o relógio conta, eu quero ser o que não sou e quero deixar de ser o que já fui em outras horas da vida, quero voltar as horas pra ser mais negra e o cabelo eu não alisaria.
Mas eu sei que não sou igual a advogada da novela, que meu cabelo não é pra fazer média ou porque a moda diz que não é mais brega, sei que não me sinto representada nas telas da tv, porque meu corpo não tem as curvas que lá você vê.
Já fui invejada e também já invejei, aliás eu invejo e nem nego, porque eu quero ser rica, quero ser diva, quero ser a mais bela menina, quero ser tudo de bom que ainda não fui, quero deixar tudo de ruim que ainda sou, quero ser o bem de alguém, quero ser o norte do sul, quero ir aonde quiser, quero viajar sempre que puder, quero fazer mais arte, quero pagar podendo, quero ajudar quem nem come, quero que mais ninguém passe fome, nem vontade e que possa arcar com sua própria vaidade.
Tem tanto querer dentro do meu ser que as vezes me perco de quem sou, da negra, da mulher, da gordinha, da atriz, da estudante, da humana.

domingo, 19 de julho de 2015

Sou...

Já fui mais mulher, mas hoje também sou um bocado, já fui tantas alegrias incluindo hoje, mas no momento sou tristeza.
Ainda não citei o que sempre fui, o que amanhã serei mais uma vez, até porque como se pronuncia de uma parte que por tantas vezes cai no esquecimento de ser.
Já fui trocada, mas hoje eu sou o trocadilho, sou eu quem atiro.
Hoje eu sou noite sem lua, bem escura e crua, igual ao tempero despreparado.
Hoje sou ereta, com a coluna quase que reta, mas a barriga sem fim pra acabar.
Hoje sou a estrada esburacada, daquelas que quase nos mata de tanto o carro desviar.
Hoje sou hipotermia, sou dor na espinha e os quarenta graus de febre que parece não cessar.
Hoje sou carro sem farol e sem rodas para andar ou sem serventia pra usar.
Mas continuo sendo uma mulher, daquela que tem racho nos pés, por descalça sempre estar.

domingo, 17 de maio de 2015

Prende, não res'pira'!

Suas pernas grossas, sua barriga presa por uma calça apertada, seus pés desconfortáveis em um sapato menor, sua respiração presa pra mais uma foto.
Quando usa saias no calor, as pernas grossas entram em atrito e assaduras passam a lhe incomodar, ainda assim ela as usa com frequência.
Quando a calça apertada sai de cena, parcialmente aliviada, ela anda com mais 'leveza' e um pouco mais de alegria lhe compõe.
Ela deixou os sapatos extremamente desconfortáveis de lado, não faz muito sentido a elegância dolorosa, além de alguns sapatos não lhe caberem mais.
Sua respiração permanece presa, nesse instante e em alguns outros também, pois os fatos todos ainda lhe mantem num estágio de sobrepeso.
Ela não faz dietas, ela não corre no parque, ela não faz nada do que você julga ser a solução dos problemas dela.
Problemas?
Quem determinou que há um tipo ideal de corpo, de pés, de coxas não tão grandes nem tão magras, que os pés dela(s) devem caber em sapatos altos e desconfortáveis, que nas fotos ela deve respirar e encolher sua barriga?
Não fui eu e não quero mais segurar minha respiração em fotos, momentos ou quando ouvir palavras que agridam a mim e às minhas gorduras!