terça-feira, 26 de outubro de 2010

Não dá pra deixar estar

Pela janela, era possível ver algumas gotas de tristeza caindo do céu, dentro de mim era possível sentir essas gotas se solidificando, transformando em uma vontade de gritar e chorar.
O dia foi longo, as vozes foram irritantes, o canto não acalmou muito e toda a dose de alegria que possuía comigo desceu pelo ralo, enquanto deixei a água lavar meu corpo.
Entrei em transe e fiquei no modo: COMPARAÇÃO. Onde tudo fazia com que eu fosse diminuída e nenhum sorriso fosse capaz de salvar minha alma, deixando-a branca.
Não quero mais entender o mundo, não sei se quero cuidar de alguém, ou se seria capaz de curar alguma dor alheia, já que em mim, vem sendo manifestado uma coisa que não possui nome, que deixa minhas cores preferidas no preto&branco, que não me faz andar nem correr.
Mas onde se encontra o mundo, quando tudo que se quer é um ombro amigo, um colo e alguém lhe mostrando que as coisas não vão tão mal assim?!
Como é que eu vou curar o mundo, se eu não me curo de mim mesma, se a minha dor fica nesse vai e vem, que parece intensificar de uma maneira triste?!
Alguém me vê aquele remédio que se toma, quando o que se deseja e dormir no mais profundo sono e só acordar depois que o caos sumir?

domingo, 24 de outubro de 2010

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Eu curaria o mundo inteiro: sairia por aí doando flores para que estas sugassem toda a dor alheia; abraçaria quem mais me fez sofrer, se este mesmo estivesse sofrendo; levaria a esperança até os túmulos de quem deixou pra trás tanta gente amando; derramaria felicidade, como se fosse calda de chocolate, simplesmente curaria tudo e todos.
Esse mundo já não me parece habitado por humanos, nem animais, somente um monte de coisa junta, que fica causando dor um no outro, destruindo... e aí vem meu choro, que se funde com todos os sentimentos que eu posso ver.
Algumas situações em específico, me fazem chorar.
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Era uma noite entre goles e mais goles de cerveja, uma em específico, parecia meio perdida em sí mesma, e não deixava isso tão aflorado, mas ainda assim era impossível que eu não notasse seus meio tristonhos. Ela foi, um grito, dois, três e pessoas correram, ela chorava, gritava jogando todo o ódio pra fora, querendo socar a alma alheia, não encostaram nela, nem a olharam, apenas tentaram levar consigo o que fosse possível vender, e ela não aceitou, brigou, lutou e escapou bem, de alguma forma. Tudo que eu queria era acolher aquela pessoa, falar pra ela que o mundo está mesmo um caos e que exatamente por isso, ela precisava se conter um pouco, esquecer o cigarro e a bebida pra melhorar os complicados que ela repetiu algumas vezes para o mesmo cara que a queria.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dançando com a ressaca moral

Nunca acreditei muito em ressaca moral, já estava (des)acreditando na própria moral.
Como se fosse um soco na boca do meu estômago, veio todo esse sentimento ridículo e fútil, me fazer processar que as coisas que sempre idealizei ainda existem para mim, de alguma forma estão aqui presentes.
A ressaca moral já vem me perturbando há um tempo, como se o dia passado minhas escolhas não fossem de se orgulhar, as minhas atitudes rápidas ou lentas demais, extremista... um problema que eu encaro em mim e em tanta gente envolvida comigo.
Mas resolvi calar meus dedos calejados de tocar e trancar meus olhos pro mundo, por um instante... viajar em mim mesma, numa dança onde meu corpo junto com outro move-se num ritmo sem dominação. Os braços brincando com eles mesmos, as mãos se olhando, sem se tocar, mas com cada gesto unificado.
Parei de inventar com o olhar fechado, abri a mente novamente pro mundo que me observava, no meu movimento de tacar as pedras em mim mesma, na minha invasão de mim mesma, onde meu limite não fora alcançado por mim, nem por alheio algum.
Deixei toda aquela invasão vir em mim, me tomar o corpo todo, num toque bom e não tão bom assim, sem olhar, sem haver aquela dominação envolvente...
Me lembrava um movimento, não sabia qual, e nem sabia como o movimento era feito, mas não fora igual, não houve o tudo, nem mesmo o nada... desta vez não foi nada.
Foi uma briga, uma competição entre as minhas duas partes que vivem no conflito que eu já não sei se desejo apaziguar.. por muito tempo fiz com que as coisas parecessem calmas pro mundo que me olha, mas hoje me incomoda com extremidade fingir que um sorriso no meu rosto, vem de dentro.
Parece que faço as recordações erradas virem a mente alheia e causo uma dor minha, em quem me olha e tenta compreender meu choro tolo, minha atitude precipitada numa competição própria.
Não foi bom, ainda procuro algum ponto que ligue minha ressaca moral aos meus valores que sempre acreditei der inabalável.