terça-feira, 19 de setembro de 2017

Inverdades presas

Ah... se o mundo soubesse das verdades que carrego entaladas em minha garganta, eu não mais teria tantos sorrisos que a mim se dirigem.
A impaciência se instaura em mim, minha garganta quer gritar o que escondo, meus olhos se fecham para que lágrimas não caiam e a respiração se perde entre suspiros contidos.
Esse injusto mundo ao qual vim parar, essas falas incoerentes parecem contas de matemática que não encaixam os números certos, é uma soma infinita de mentiras, uma teia que não se desfaz, que a cada novidade embala ainda mais quem se cerca.
Será que estou tão perdida em mim que não sou capaz de encontrar ao outro? Não consigo acreditar que seja possível afirmar tal questão, não posso ser tão voltada a meu mundo que me esqueço do outro.
Repito pelos dias todos de minha vida, que meus fazeres precisam ter um bocado de sentido com minha fala, a coerência precisa ser parte do meu caminhar, não posso mais agir diferente do que digo acreditar, mas por vezes perco o dom de me manter assim.
Essa calmaria perigosa a qual sou aliada, as vezes me espanta o quanto mantenho-me tentando centrar meus olhos, as vezes me espanto por deixar que falas tão exacerbadas invadam alguns outros jardins.
Quase imploro para que parem de mentir a mim, quase imploro para que se retratem, quase que imploro pela verdade que carrego em meu peito, quase deixo de implorar pela presença que em tantas vezes desejei ser verdadeira.
É, esse injusto mundo não cabe minha verdade a tantos que julgo em tom de parceria, então que todas essas inverdades se percam por outros caminhos, há quem siga no mesmo.

domingo, 10 de setembro de 2017

Um novo verso de uma universitária

Este é mais um espaço em que me desgasto.
Já repeti diversas vezes para quem tenha interesse em saber e a mim mesma que não tenho problema com a Universidade bancar a socialização de seus acadêmicos, mas me inconformo com as possibilidades desiguais que são dadas.
Poucos me dizem forte, muitos dirigem estas palavras a outros que tem a condição material bem encaminhada na vida. Mesmo que não pareça, mesmo que eu pereça, não vale falar nome algum, não vale denunciar, afinal qual é a prova que eu vou levar?
Todos os dias encaro o Sol quente de uma cidade interiorana, encaro os desafios de escutar piadas que ferem a boa parte do que sou, do que socialmente me disseram que sou, todos os dias eu escrevo por algumas horas em meu caderno, eu estudo, eu realmente me entrego.
Enquanto vejo notas sendo descartadas a quem faz uma boa cópia, a quem assina em baixo sem se quer saber qual o tema que aborda e eu não posso mais.
Por diversos momentos me calo querendo gritar, me tranco no quarto pra ninguém me ouvir chorar enquanto olho pra essa vida e penso: A Universidade não é pensada pra mim.
O que eu vejo é abuso, percebo pequenos atos corruptos, noto algumas malandragens e tantos outros que estão de sacanagem. E tenho a intenção de falar de cada um.
Sobre o abuso: é de poder, é de querer, é de desejar e é ainda de fazer um outro rir. Quantas vezes escutei piadas do meu cabelo, da minha negritude, da gordura que aparece pelo meu corpo inteiro, quantas vezes mais irei escutar que é preciso se cuidar? Quantas vezes engoli minhas palavras enquanto homens diziam sobre mulheres a desvalorizar? Não estou dentre os toques, o meu único toque tem sido o de me recolher, num ato tão agressivo ao meu verdadeiro ser.
Ai esses atos corruptos: Pobre, pobre e pobre. Mayra, você não pode. É aí que a gente se fode. Escuto piadas sobre as bolsas de assistência estudantil. Nesse ponto eu compro inimizades, porque cada um sabe de si a sua verdade, as suas mentiras, as suas verdadeiras conquistas "Não escolhe fulano pra tutor, ele vai te mandar fazer pesquisas". Tão querendo tudo fácil e pior, tem quem assine logo embaixo.
É malandragem, chego a pensar que só podem estar de sacanagem.
Eu não posso concorrer, eu não posso me meter "Tem certeza?" "Quanto mais quieta ficar, melhor pra você passar" "Já tá querendo causar...". E quero, quero jogar pelas paredes relatos, quero unir quem está aos migalhos, quero fazer minha voz ser lida já que não pode ser ouvida. Quero EU estar de sacanagem com essas patifarias.
A Universidade não é pensada pra você! Ela faz você se recolher, se abster e as vezes até enlouquecer. Se enfia em tudo, tenta essa bolsa, faz um trampo ali, tira uma grana aqui, tenho um projeto que você vai gostar, olha só essa aluna é de arrasar, você tem potencial, produza, produza, produza... reduza? Ninguém lhe diz reduza, quando carrega um nome adiante, ninguém lhe diz pra reduzir os estudos quando você tem dificuldades de parar.
A Universidade não foi pensada pra mim, e pra você, foi?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Nada disso é normal


Fonte: https://www.facebook.com/ogatoeodiabo/posts/876878072488267?pnref=story


A Universidade apresenta uma diversidade pra gente. Apresenta inclusive alguns "monstros" e a gente tem que saber quando se mostrar e quando se recolher, pra não agredir parte do que somos, do que acreditamos. As produções do saber em alguns momentos me parecem tapas na cara, os méritos me dão socos na boca do estômago e as pessoas me impressionam com suas ações tão distinta do que dizem. Viver com uma bolsa meritória também não é, viver sobrevivendo também não deveria ser.
Meus olhos cansados nunca são lembrados para redigir uma prova, minha mente inquieta não parece afetar a postura alheia, minha alma calma não demonstra o sentir que está por debaixo da pele. E cada vez mais me aproximo do que digo, na tentativa de ser extremamente verdadeira, mesmo quando testada por inverdades que surpreendem. 
Quantas vezes mais me calarei diante das inclusões mais excludentes que pude viver em minha pele? Quantas piadas doídas terei de escutar e engolir palavras que são capazes de alterar minhas notas? Quais portas abro e fecho quando digo o que escrevo em minha mente, sem pestanejar? 
Não é normal que uns tenham tantas condições materiais ofertadas, enquanto outra parcela se mantem mergulhada em trabalhos, dedicações, bicos e apagões... apagões da mente cansada, do psicológico abalado, do cansaço retomado!