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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

outra face, outra parte

É dessa face que o medo corre, é desse jeito que o mundo não morre, e tudo que é ruim... foge.
- Pintando as unhas, é?
- Não. Só estou escolhendo uma cor temporária para o meu bem querer, me querer mais.
- E hoje será rosa? - era bom ver o quanto ela estava estacionada e eu não.
- Se te contenta meu sim, fica desse jeito.
Aqueles olhos lindos já não me pertenciam, mas nunca foram tão meus quanto aquele momento que me focou.
Eu segurei um punhado dos seus cachos, ela virou-se, me olhou, fixou seus próprios lábios, como se segurasse na boca algumas palavras que gostaria de cuspir em mim. Eu sorri, de uma maneira tão fria como nunca imaginei que eu poderia... toda a minha bondade para com ela, havia sumido.
- Tenho algumas cores disponíveis para você hoje.
- Quais são? - ela soltou com suas mãos macias, o punhado que eu segurava.
- Preto, branco, cinza, marrom...
Era a parte suja da minha alma, eu colocava esta para fora de forma negra, sentia meu próprio estômago repudiar minha fala.
Aquelas pernas brancas e cumpridas correram pra longe de mim, junto dela foram as cores negras minhas, foram as minhas palavras injuriosas, foi o amargo, toda essa minha parte, essa minha outra face, foi junto com ela, embora num caminho desconhecido de mim.

domingo, 28 de novembro de 2010

Momento sem mim

Quando uma parte chorosa desperta, e deixa o resto do corpo imóvel. Depois pede aos dedos que sejam ageis, para começar uma história sem meio e fim, apenas para dar inicio ao que já estava sendo vivenciado, por uma alma com olhos tão fundos e tristes.
Em apenas uma noite seria possivel acabar com tudo, e trazer aos olhos todas as provaveis lágrimas, deixar todos os desejos de lado, com apenas um feito,mas seria necessario mais que uma coragem súbita e triste, seria necessário as minhas mãos apunhalando meu próprio peito, em cheio... fazendo meu sangue se espalhar pelo meu corpo, numa calmaria inexistente.
Viria o cheiro de quero mais, com um bucado de ânsia para voltar a outra vida, aos outros atos, aos falhos que foram a salvação até o presente momento sanguinário.
Eu teria de amar ainda mais aqueles olhos, teria de esquecer daquele sorriso calmo e vazio, seria quase impossível não poder apreciar mais seus cachos, e todo o meu amor estaria jogado em um canto, sujo e mal acompanhado.
Faltaria muito mais que uma loucura, faltaria mais que esse corpo que hoje você almeja em dietas ridículas lendo o que não é informado de modo real, eu perderia esse brilho em forma de sorriso, onde o corpo todo se mexe de forma espontânea. Seria esquecer que olhei pros seus olhos, que segurei firme seus pulsos, quando você quis pular a parte de viver,seria deixar pra trás todos os momentos de loucura boa que foram vividos.
Não poderia jamais deixar meu sangue sujar a sua felicidade tão meiga e parecida com a minha. É como empurrar seu corpo pra longe do meu, pedindo pra você nunca mais voltar a olhar meus gestos, enquanto dançava o seu dia. Há muito que deveria ser dito, mas que eu jamais poderia dizer sem formar o Te amo ao olhar o quanto estivemos presentes na vida um do outro. É ignorar os seus erros, segundo o meu achar, e faltar com a minha consciencia por um instante, para formarmos uma dupla cantante, é igualar a saudade que existe a um nada, que sempre esteve presente.
Nossas línguas sempre foram afiadas, nós amolávamos estas, com nossa saliva salgada, dizendo e 'des'dizendo coisas inúteis e fúteis, tanto quanto os atos tomados.
O meu piscar de olhos, nunca fora tão longo quanto naquele momento onde eu pedia meu sangue ao destruir meu corpo apunhalando minha alma chorosa.nenhum daqueles sorrisos poderia me salvar se eu não quisesse, se não houvesse o meu chamado, se eu não mostrasse que as minhas mãos estavam limpas de mim mesma.
Eu só parecia entender cada vez mais, o porque de fotos tão felizes, e olhos tão distantes do mesmo foco, onde as noites de cantoria com bebida, faziam de nós o mesmo nós visto de todos os angulos, de como deveria ser visto por mim, por você e por cada um aqui escrito.
Ainda assim, a cena parecia prosseguir, cheia de lembranças, de primeiras e primeiras coisas vividas, de primeiros olhos tristes, de primeiras bocas amadas, de primeiros beijos doces, de primeiras palavras vermelhas... a protagonista não era eu, minhas mãos comandavam toda a cena suja de mim.

domingo, 14 de novembro de 2010

cadê meu título, amigo?

Odeio ficar com alguém na cabeça, e não saber se o mesmo acontece com alheio.
Porque muitas perguntas sempre parecem, acabar com o dia de qualquer um, poucas respostas também e a incerteza ainda mais.
Aí eu me pergunto onde eu me encontro, como, e tudo mais, num mix danado, que me deixa ainda mais louca e sem respostas, num estado de medo da paixão e querer o mesmo. E lá vem a briga interna novamente!
Eu quero mais mesmo, quero mais gosto do que me fez bem, quero mais olhar... muito mais só pra mim, quero ainda mais cheiro me enlouquecendo, quero mais lembranças de loucuras ou falta delas, quero mais cor, quero arrancar o preto&branco de mim, quero gritar ao mundo inteiro, se eu sentir tudo intensamente.
Depois de querer tanto, não quero nada. Passo a desejar somente, que eu fique bem, mesmo sem obter tudo que eu mesma planejei sentir, ou não... mas é incerto esse caminho, ainda mais por não envolver somente a mim.
É tanto gosto, que chega a dar desgosto.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Não dá pra deixar estar

Pela janela, era possível ver algumas gotas de tristeza caindo do céu, dentro de mim era possível sentir essas gotas se solidificando, transformando em uma vontade de gritar e chorar.
O dia foi longo, as vozes foram irritantes, o canto não acalmou muito e toda a dose de alegria que possuía comigo desceu pelo ralo, enquanto deixei a água lavar meu corpo.
Entrei em transe e fiquei no modo: COMPARAÇÃO. Onde tudo fazia com que eu fosse diminuída e nenhum sorriso fosse capaz de salvar minha alma, deixando-a branca.
Não quero mais entender o mundo, não sei se quero cuidar de alguém, ou se seria capaz de curar alguma dor alheia, já que em mim, vem sendo manifestado uma coisa que não possui nome, que deixa minhas cores preferidas no preto&branco, que não me faz andar nem correr.
Mas onde se encontra o mundo, quando tudo que se quer é um ombro amigo, um colo e alguém lhe mostrando que as coisas não vão tão mal assim?!
Como é que eu vou curar o mundo, se eu não me curo de mim mesma, se a minha dor fica nesse vai e vem, que parece intensificar de uma maneira triste?!
Alguém me vê aquele remédio que se toma, quando o que se deseja e dormir no mais profundo sono e só acordar depois que o caos sumir?

domingo, 24 de outubro de 2010

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Eu curaria o mundo inteiro: sairia por aí doando flores para que estas sugassem toda a dor alheia; abraçaria quem mais me fez sofrer, se este mesmo estivesse sofrendo; levaria a esperança até os túmulos de quem deixou pra trás tanta gente amando; derramaria felicidade, como se fosse calda de chocolate, simplesmente curaria tudo e todos.
Esse mundo já não me parece habitado por humanos, nem animais, somente um monte de coisa junta, que fica causando dor um no outro, destruindo... e aí vem meu choro, que se funde com todos os sentimentos que eu posso ver.
Algumas situações em específico, me fazem chorar.
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Era uma noite entre goles e mais goles de cerveja, uma em específico, parecia meio perdida em sí mesma, e não deixava isso tão aflorado, mas ainda assim era impossível que eu não notasse seus meio tristonhos. Ela foi, um grito, dois, três e pessoas correram, ela chorava, gritava jogando todo o ódio pra fora, querendo socar a alma alheia, não encostaram nela, nem a olharam, apenas tentaram levar consigo o que fosse possível vender, e ela não aceitou, brigou, lutou e escapou bem, de alguma forma. Tudo que eu queria era acolher aquela pessoa, falar pra ela que o mundo está mesmo um caos e que exatamente por isso, ela precisava se conter um pouco, esquecer o cigarro e a bebida pra melhorar os complicados que ela repetiu algumas vezes para o mesmo cara que a queria.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dançando com a ressaca moral

Nunca acreditei muito em ressaca moral, já estava (des)acreditando na própria moral.
Como se fosse um soco na boca do meu estômago, veio todo esse sentimento ridículo e fútil, me fazer processar que as coisas que sempre idealizei ainda existem para mim, de alguma forma estão aqui presentes.
A ressaca moral já vem me perturbando há um tempo, como se o dia passado minhas escolhas não fossem de se orgulhar, as minhas atitudes rápidas ou lentas demais, extremista... um problema que eu encaro em mim e em tanta gente envolvida comigo.
Mas resolvi calar meus dedos calejados de tocar e trancar meus olhos pro mundo, por um instante... viajar em mim mesma, numa dança onde meu corpo junto com outro move-se num ritmo sem dominação. Os braços brincando com eles mesmos, as mãos se olhando, sem se tocar, mas com cada gesto unificado.
Parei de inventar com o olhar fechado, abri a mente novamente pro mundo que me observava, no meu movimento de tacar as pedras em mim mesma, na minha invasão de mim mesma, onde meu limite não fora alcançado por mim, nem por alheio algum.
Deixei toda aquela invasão vir em mim, me tomar o corpo todo, num toque bom e não tão bom assim, sem olhar, sem haver aquela dominação envolvente...
Me lembrava um movimento, não sabia qual, e nem sabia como o movimento era feito, mas não fora igual, não houve o tudo, nem mesmo o nada... desta vez não foi nada.
Foi uma briga, uma competição entre as minhas duas partes que vivem no conflito que eu já não sei se desejo apaziguar.. por muito tempo fiz com que as coisas parecessem calmas pro mundo que me olha, mas hoje me incomoda com extremidade fingir que um sorriso no meu rosto, vem de dentro.
Parece que faço as recordações erradas virem a mente alheia e causo uma dor minha, em quem me olha e tenta compreender meu choro tolo, minha atitude precipitada numa competição própria.
Não foi bom, ainda procuro algum ponto que ligue minha ressaca moral aos meus valores que sempre acreditei der inabalável.

sábado, 18 de setembro de 2010

des, das, nomeada.

No momento venho odiando a saudade, como se a mesma viesse estampada com aquele nome, cheiro, cor, sentido, como se fosse tudo vivo em mim... denovo.
Sabe quando o medo, vem lhe fazer uma visita, onde deixa claro que algumas coisas serão sentidas e ressentidas... que eu ainda vou lembrar de muita coisa envolvendo aquele mesmo cheiro, aquelas mesmas costas, aquele mesmo lábio doce no beijo e amargo nas palavras.
Então como se fosse a solução, eu chamo o ódio para me guiar de alguma forma, pra me manter distante da dor de querer, de gostar, de desejar o que não deveria ser desejado... pra manter a distância dos outros sentimento que eu já tive o desprazer de conhecer, com o mesmo nome.
E agora? O que eu faço, com essa situação que já chegou no limite faz tanto tempo, e eu sequer consegui notar isso...?
Engraçado como não é necessário o contato, pra manter alguma ligação. Faz tanto tempo que o mundo parou e voltou, e eu realmente ainda estou meio deslocada, parece que o lugar errado é onde estou, que as pessoas não são mais tão as mesmas, que alguns personagens foram criados.
Um parte minha sorri, conversa, brinca, fala, sente... a outra só lamenta e mantém-se neutra de alguma forma, onde tudo é desconfiança.
Tudo tão relacionada a mesma coisa, ao mesmo mix chato e cansativo, a mesma ladainha, dor, amor e outras insatisfações... é bem mais simples racionalmente, porque mesmo que eu deixo o sentimentalismo me guiar?
Um grito falho se forma diariamente em minha garganta, e eu engulo fingindo ser o meu doce predileto.